PARQUE NATURAL 
DO SUDOESTE ALENTEJANO
E COSTA VICENTINA

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PARQUE NATURAL DO SUDOESTE ALENTEJANO E COSTA VICENTINA

É uma aventura este Alentejo que se abre ao mar. Entre o estuário do Sado e os confins do sudoeste alentejano, a planície, as colinas, que aqui parecem serras, areais intermináveis e falésias debruçadas sobre o mar completam a rica e diversificada paisagem que nos surpreende a cada curva do caminho.


Uma das coisas que se torna cada vez-mais aparente, com o nosso contacto crescente com os países do centro da Europa, é que Portugal é, na realidade, uma excepção geográfica. Aqui, no nosso jardinzinho à beira-mar plantado, não nos apercebemos de que a Europa Central e, na sua maior parte, uma grande e contínua cidade, interrompida por contínuas explorações agrícolas, com poucos interregnos onde a natureza possa dar um ar da sua graça. Portugal, em contrapartida, embora seja um país pouco voltado para os pormenores ligados ao ambiente, é um pequeno país bafejado pela sorte de não ter sido apanhado pela onda de urbanização e ocupação que dominou a Europa central. Dispomos efectivamente de um grande número de áreas que gozam de estatuto de protecção, não porque tivéssemos a antevisão necessária para evitar que os nossos espaços patrimoniais comuns fossem absorvidos pelo desenvolvimento característico do resto da Europa mas sim porque, simplesmente, somos poucos e estamos longe desse foco. É certo que algumas das áreas protegidas do nosso país estão integradas no tecido urbano e viário do país, em vez de se destacarem da geografia nacional como ilhas.

Mas se por um lado tal integração não é simpática aos defensores da natureza, por outro, dá ao nosso país uma dimensão mais humanizada.

É nesse contexto que se insere, sem dúvida, o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, uma extensa banda de costa atlântica, situada entre S. Torpes e o Burgau e uma extensa faixa de mar, paralela a esta costa, com 2 km de largura. No total, a área abrange 60 624 hectares terrestres e quase 30 000 hectares de mar, por terras pertencentes ao Concelho de Sines, de Odemira, de Aljezur e de Vila do Bispo, acompanhando as falésias atlânticas pelo Litoral Alentejano até ao Algarve. O Parque foi criado em 1990, tendo evoluído, em termos legais, até 1999, altura em que foi alvo de um Plano de Ordenamento. Em termos de inserção nas redes internacionais de conservação, o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina está classificado como Reserva Biogenética do Conselho da Europa, como Zona de Protecção Especial para Aves, e como Sítio da Lista Nacional de Sítios integrados na Directiva Habitais.

As características diferenciadas da faixa rochosa abrangida pelo Parque resultam principalmente da agressiva acção do Atlântico sobre as arribas rochosas em directo contacto com o mar. A costa alentejana alterna as falésias calcárias com dunas arenosas e arribas argilosas. Esta diversidade de substratos favoreceu o desenvolvimento de uma flora muito específica e rara, sendo que algumas associações de plantas observadas no promontório de Sagres se encontram descritas como únicas no mundo. Com efeito, a reduzida ocupação humana da costa sudoeste do Alentejo, associada à variedade de ambientes, criou condições perfeitas para o desenvolvimento e manutenção de espécies como a Biscutella vicentina, ou Diplotaxis vicentina, e a Hyacinthoides vicenrina, cujos nomes científicos atestam de forma inequívoca a sua distribuição limitada a esta região do nosso planeta.

Confirmando a importância que o estatuto de protecção assume para a preservação deste ambiente, refira-se que está já documentada a extinção de uma planta típica das lagoas do planalto de Odemira, a Armeria arcuata, cujo desaparecimento se deve à reconversão agrícola decorrente da criação do perímetro de rega da região do Mira.

A fauna do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina também apresenta algumas surpresas. E o único local do mundo onde a cegonha branca nidifica em arribas marítimas. É o único local do país onde existe uma colónia de lontras que utilizam o meio marinho para procurar alimento. Para além das espécies endémicas, o Parque Natural recebe igualmente um grande número de espécies de aves migradoras, sendo por isso um ponto de estudo de migrações de importância reconhecida internacionalmente. Entre as ocorrências biologicamente mais interessantes, inclui-se a migração outonal de aves planadoras, que envolve vários milhares de aves de rapina, entre as quais se contam as águias-calçadas, as águias-cobreiras, os gaviões, os falcões-abelheiros, os grifos e os abutres do Egipto, por exemplo.

Algumas das espécies faunísticas existentes no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicenrina encontram-se, aliás, em grande risco de extinção. Entre estas contam-se a águia-pesqueira e o lince, espécies que aguardam sinais de um inequívoco esforço de conservação, que até à data não se tem dado para afastar uma iminente extinção, O século XX viu já o desaparecimento na zona abrangida pelo Parque do airo e do lobo, pelo que algo há que fazer urgentemente para que as duas espécies acima referidas não vão pelo mesmo caminho. Esta é a face mais visível da fauna do Parque.

Mas existem muitas outras espécies que não estão estudadas, ou estão mal estudadas, e que se pensa não serem de menos importância. Entre estas incluem-se várias espécies endémicas de invertebrados, algumas das quais exclusivas da zona de Sagres. O levantamento da biodiversidade do Parque, começado no início do século XX por ilustres naturalistas como Gonçalo Sampaio, é alvo de permanente actualização, pelo que não constituirá certamente surpresa se a riqueza do património descrito se vir aumentada em qualquer altura. Esperemos que os portugueses aprendam rapidamente a dar o devido valor a esta jóia da natureza atlântica, já tão apreciada entre os estrangeiros que escolheram o Sudoeste Alentejano para fugir à Europa.

O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina merece a nossa atenção e o nosso carinho.


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